segunda-feira, 30 de novembro de 2009

[...Era ela, sim era ela...]

Ela vinha com uma meia que quase lhe engolia os joelhos magros e algum charme em andar desengonçado. Tinha um cheiro de quem saiu do banho e certa “aura” quase infantil em cheirar assim.
Era sem dúvida muito simples em suas ações, e seus movimentos quase mecanizados possuíam, sei lá como, um ar delicado e fluente.
Os olhos saltavam à luz com um brilho de bola de gude novinha em folha (daquelas que quando a gente ganha fica por horas revirando ao sol pra descobrir os mistérios) e aquele colorido que nos faz crer olhando por mais um segundo vamos cegar pela eternidade.
Os braços por vezes batiam no vento e este dava passagem por tanta braçada que vinha.
Era ela, era sem dúvida ela.
O som dos seus passos e a cadência que envolve os ouvidos é peculiar e leva para um mundo distante, meio azul com cheiro de algodão doce. Pode-se confundir isso facilmente com o amor, mas não.
Era ela, era definitivamente ela.
Caindo por entre seus dedos a água da chuva tem um ar tão poético. É de se emocionar com tanta claridade num só espaço. Tão escuro que meus olhos de gato não veriam.
Um passeio por entre meus sonhos e devaneios. Era isso que ela propunha para o fim dos dias tristes e maçantes.
Mas era ela, era indubitavelmente ela.
Quando o arrastar de chinelos e o odor de naftalina forem minha rotina, saberei de onde estou, olhando para trás, que nada foi tão utópico quanto essa fase da minha existência.

Quando me olhar no espelho e perguntar o que era, a voz do tempo vai sussurrar em meus ouvidos:
Era ela, era tão somente ela.

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