A solidão é uma boca,
Uma boca enorme.
A solidão come tudo.
Comeu minhas presenças,
Meus espaços,
Minha alegria.
Comeu as palavras ainda na garganta.
A solidão é uma boca enorme.
Enorme e cheia de dentes afiados.
Ela mastigou meu sorriso,
Dilacerou meus abraços,
Engoliu as sensações.
Tudo que a boca-solidão morde, sangra.
Minhas mãos sangram da ausência
[de outras];
Meus olhos sangram do escuro;
Meus joelhos sangram da súplica;
Minha língua sangra da mentira;
Até a minhas paredes sangram,
Sangram do espaço vazio entre elas.
Quanto mais a boca-solidão abocanha
Mais o vazio cresce
E até parece
Que pequenas boquinhas
Nascem de mim.
É.
Eu pari a solidão.
Sou Mãe-Solidão
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