Tempo, amigo – tão cruel – fiel.
Não se adianta, não se atrasa.
Por mais que faça na hora exata
Cai-me sobre os ombros
E traga a fumaça dos meus dias com imenso prazer.
Debato-me inutilmente,
E tombo como um pato abatido sobre suas mãos
O tempo – quietinho – arregaça as mangas e põe-se a trabalhar
Costura minhas feridas, arranca os espinhos e colore delicadamente as lembranças agradáveis da infância – que já perdem a cor.
Um manto leve de proteção me aquece
Enquanto a brisa lambe meus olhos, já molhados.
A partida é breve, eu nem sinto
[O tempo foi e eu fiquei]
A areia da ampulheta desce lentamente
A vida se esvai calma e devagar
O destino vai correndo sem saber
Que no fim, morrer não é acabar.
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