De que nós, mortais, somos feitos de vidro. E isso não é uma analogia barata não.
Sabe aquelas estátuas enormes e imponentes de vidro?! Isso mesmo!
Elas parecem firmes, mas são frágeis, quebráveis.
Algumas coisas tiram umas lasquinhas do vidro, mas nada que abale a estrutura.
Mas quando o vidro quebra - e eu sei o que é quebrar - ele se parte em milhões de pedacinhos. Parece humanamente impossível juntar todos eles, e talvez seja.
Demora muito tempo para refazer o mosaico da nossa estátua. Nunca, absolutamente nunca, fica perfeito.
Sempre tem aquele pedaço que cai debaixo da geladeira e nunca mais conseguimos encontrar - ficamos aleijados em algo quando quebramos.
Vez ou outra na vida, numa mudança qualquer trocamos a geladeira de lugar - e é difícil levantar a geladeira - e achamos aquele bendito pedacinho.
Dá uma alegria e um desespero, a gente não sabe nem por onde começar.
Ele está cheio de poeira e mesmo depois de limpo é difícil acomodá-lo no seu devido lugar.
Nos montamos e remontamos até parecermos completos, mas depois de quebrar, não se iluda, ficamos defeituosos. Algo em nós se perde. Pedaços fora do lugar, arestas estranhas e quase sempre arranhando quando uma mão nos toca.
É... quebrar é fácil. Reconstruir é que é o bicho.
E viva o mosaico homem, que sem se partir é ridiculamente belo.
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